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Capítulo 1 - Parte 2

(Apenas uma maçã)

(Sons de passos na grama)

Narradora: Lucas avisou que ia sair, dar uma volta e procurar algumas frutas para comer. No caminho, ele vê árvores com frutas que pareciam brilhar de longe, refletindo a luz do sol. Lucas chega mais perto e pensa: Ufa, são só maçãs. É melhor eu pegar algumas. Lucas escuta um barulho atrás dele e se assusta, pois achou que era a praga. Ele olha para trás rápido e se depara com Gabriel. Lucas diz:

Lucas: Você quer me matar de susto? eu quase tive um infarto, Gabriel.

Gabriel: Foi mal, eu não queria te assustar. Eu achei que você tinha percebido que eu tava aqui.

Lucas: Você parece um louco. Seguindo os outros assim, sem nem avisar.

Narradora: Gabriel olha para Lucas com um olhar sério e Lucas fala:

Lucas: Vai lá, pega algumas frutas. A gente precisa comer, a comida já tá acabando.

Narradora: Gabriel concorda. Enquanto ele pega as frutas, Lucas é atraído para uma parte específica, onde tem grama e um lago à frente. Lucas pensa: será que eu devo voltar para mostrar à Vitória e à Akira este lugar lindo? Mas já vai anoitecer, não vai dar tempo. Lucas vai até aquele lugar e senta na grama para relaxar um pouco. Gabriel logo depois chega e senta ao lado dele. Lucas insiste na mesma pergunta: Por que você tá assim com a Vitória? Gabriel fica uns minutos em silêncio, depois fala: (suspiro) É que eu amo a Vitória, e eu sei que você também gosta dela. Não quero ficar no caminho de vocês dois, por isso eu tô me afastando.

Lucas: (surpreso) É, mas isso não afeta a nossa amizade, certo?

Gabriel: É claro que não, mano. (com um sorriso simples no rosto)

Narradora: Depois de tanto tempo sem o Lucas ver o Gabriel sorrir, sendo essa a primeira vez, Lucas fica contente. Depois de algumas horas, Gabriel e Lucas voltaram. Akira estava comendo. Assim que Akira vê eles, ela diz:

Akira: Gente, acharam alguma coisa?

Narradora: Akira queria comer mais.

Lucas: Só algumas frutas e maçãs.

Narradora: Vitória fica feliz, pois gostava muito de maçãs. Akira também, embora estivesse muito preocupada com o Jonathan. As maçãs faziam a dor ficar mais leve. Logo depois, eles resolvem descansar. Mais tarde, à noite, Vitória acorda com um barulho e, com medo, decide acordar o Gabriel, pois era a pessoa que estava mais perto. Gabriel acorda e diz:

Gabriel: O que é, Vitória? Eu preciso dormir. Eu andei muito, estou cansado.

Vitória: (cochichando) Fala mais baixo, tem alguma coisa observando a gente.

Narradora: Gabriel se assusta e fala:

Gabriel: Como assim?

Narradora: Vitória diz que está sem tempo para explicar, pega a primeira coisa que vê pela frente e vai até onde está o barulho. Gabriel levanta e vai logo atrás, segurando uma lanterna. Eles vão chegando perto até que...

(barulho de um galho quebrando)

Narradora: Vitória grita para todo mundo acordar e correr, pois a praga estava ali. Akira e Lucas acordam assustados e perguntam:

Akira: Ah, o que aconteceu?

Narradora: Gabriel, correndo, fala:

Gabriel: Levantem! Os bichos tão vindo aí!

Narradora: Akira e Lucas, sem entender nada, levantam. Eles pegam algumas coisas rápido e fogem pela madrugada para muito longe, até chegarem a um lugar onde havia uma casa. Entrando nela, encontram algumas coisas. Akira diz:

Akira: Pega tudo importante, principalmente facas. E se acharem armas, peguem também.

Narradora: Gabriel olha para a cara da Akira e diz:

Gabriel: Claro, quer um copo d'água e uma massagem também?

Akira: Ah, seria ótimo, até porque eu tô com uma dorzinha aqui no ombro...

Gabriel: Deixa de ser burra, Akira. É lógico que a gente vai pegar tudo. E vem ajudar também.

Narradora: Akira fica brava e diz:

Akira: Olha só, o único burro aqui é você. "Indiota".

Narradora: Gabriel revira os olhos e diz para todos:

Gabriel: É melhor a gente passar pelo menos um dia aqui. É uma casa grande e a gente correu bastante. Acredito que a praga não vai chegar tão fácil aqui.

Narradora: Vitória concorda dizendo:

Vitória: É verdade, é melhor a gente ficar pelo menos um dia. Vai ser bom para recuperar a energia.

Narradora: Vitória arruma algumas coisas que ela achou.

Vitória: Bom, já tá quase amanhecendo. Hora de dormir.

Narradora: Bom, não demorou muito, Vitória adormece. Nesse sonho, alguém morreu. Ela não viu o rosto, não conseguiu ver, mas percebeu que essa pessoa estava morta, com um ferro afiado atravessando as costas. O sangue escorria pelo ferro, e gotas de sangue caíam. Vitória escutava gritos, e mais gritos. Vitória acorda assustada e suando. Lucas percebe o seu desespero e vai até ela, perguntando:

Lucas: Tá tudo bem, Vitória?

Vitória: Tá, tá tudo bem. Eu só tive um pesadelo.

Narradora: Lucas dá uma pequena risada e diz:

Lucas: Isso é por causa do cansaço. Tá tudo bem, não precisava se preocupar.

Narradora: Vitória não responde, só fica em silêncio pensando: quem era aquele homem e por quê? Bom, com o tempo, Vitória deixa pra lá. Ela se levanta e passa por todo mundo sem dizer uma palavra. Ela vai em direção à floresta, até que Akira pergunta:

Akira: Ei, vai aonde?

Vitória: Eu quero descansar um pouco. Sair do barulho. Eu vou dar uma volta qualquer.

Akira: Descansar andando? Eu, hein? Tá bom, só toma cuidado.

Narradora: Vitória só balança a cabeça. Vitória vai cada vez mais fundo na floresta, e lá encontra algumas frutas diferentes. Vitória nunca tinha visto nenhuma delas, mas apenas uma específica chamou a atenção dela, uma vermelha, mas tão vermelha que ela decide comê-la. Após dar a primeira mordida, ela percebe que o gosto era parecido com a de uma maçã, mas bem mais doce. Vitória havia caminhado muito, então decide voltar. Ela sabia que iria chegar meio tarde à casa. Mas, no caminho, Vitória começa a ficar meio tonta. Vitória cai e desmaia no meio da floresta.

[Flashback] Psiquiatra: (voz na cabeça) Tá tube bem, Vitória. Já fizemos isso antes, é apenas uma maçã (eco: maçã...)

Narradora: Vitória acorda com uma respiração ofegante.

Vitória: O quê?

Narradora: Vitória levanta e corre até o grupo.

Lucas: Poxa, Vitória, onde você estava? Você nos deixou preocupados. Calma, você tá sangrando?

Vitória: Eu... eu não sei. Eu caí na floresta e tive um... um sonho...

Gabriel: Vitória, que bom que você voltou. Temos que ir.

Narradora: Eles precisavam continuar, porque algo estava se aproximando, e todos acreditavam que era a praga. Então, seguiram em frente. Gabriel perguntou a Vitória se ela estava bem:

Gabriel: Você está bem, Vitória? Lucas disse que você caiu na floresta.

Vitória: É, eu andei muito, acabei ficando cansada.

Narradora: Gabriel não diz mais nada, apenas faz cara de pensativo. Após andarem o dia todo, eles decidem descansar. Vitória ainda estava ansiosa e ficou andando de um lado para o outro. Gabriel, vendo isso, parou de preparar seu cantinho de dormir e foi até ela.

Gabriel: O que foi, Vitória? Você foi a que mais andou hoje. Por que você tá parecendo uma barata tonta aí?

Vitória: Eu tive uma visão, sei lá, um sonho estranho hoje. Eu tô preocupada.

Gabriel: Dorme mais perto hoje. Qualquer coisa, eu estarei do seu lado.

Narradora: Vitória, olhando para o Gabriel, pergunta:

Vitória: Você quer dormir comigo?

Gabriel: Acho melhor não, o pessoal poderia entender errado. Vamos dormir só perto, tá bom?

Narradora: Vitória concorda e deita. Mais um sonho acontece. Nesse sonho, Vitória vê uma mulher que parecia com ela, mas não era. Ao lado dessa mulher, a mesma pessoa que apareceu morta no sonho anterior. Ela ainda estava morta. Vitória segue com o olhar o ferro que atravessava seu corpo e percebe que a mão que o segurava era daquela mulher parecida com ela. a mulher dá uma risada e diz:

Mulher Misteriosa: Você achou mesmo? Achou mesmo que iria me segurar por muito tempo? Você não sabe do que eu sou capaz. Vai ser um por um, Vitória, um por um!

Narradora: Vitória, assustada, busca respostas:

Vitória: Quem é você? Por que você matou essa pessoa?

Narradora: A mulher larga o ferro, deixando-o cair junto com o corpo. Andando até Vitória, ela diz:

Mulher misteriosa: Ah, você me conhece muito bem, sabe por quê? Porque eu sou você!

Vitória: Não, você não é! Eu nunca faria isso, (sussurrando) eu nunca mataria minha melhor amiga de infância.

Narradora: Vitória percebe que o corpo caindo era da amiga de infância dela... Vitória então olha no rosto da mulher e vê um sorriso, um sorriso de orelha a orelha.

Mulher misteriosa: Sim, você matou. (risada escandalosa)

(Som de trovão) Gabriel: Vitória! Vitória! Acorda! É só um pesadelo.

Narradora: Vitória acorda chorando, desesperada, e abraça Gabriel.

Vitória: Aquela não era eu.

Gabriel: Tá tudo bem, Vitória.

Vitória: (chorando) Não… não era. Eu nunca faria isso. (sussurrando) Eu nunca faria isso. Eu não sou assim.